Bispo emérito de Nova Friburgo celebra meio século de sagração
e 93 de vida neste domingo, no Recife
Jailson da Paz
jailsonpaz.pe@dabr.com.br
O Recife tem significado especial para dom Clemente Isnard. Bispo emérito da Diocese Católica de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, ele encontrou em bispos locais, a partir dos anos 60, bons amigos. Leia-se, dom Helder Camara e dom José Lamartine. O primeiro, arcebispo de Olinda e Recife por mais de duas décadas (1964-1985). O segundo, o auxiliar de dom Helder. Dessas duas "figuras", dom Clemente guarda recordações e lições que julga importantes para a sua vida e a da Igreja. Por isso e pelo que chama de acolhimento da cidade, o bispo emérito celebra neste domingo meio século de sua sagração como bispo e 93 anos de idade. A sagração ocorreu exatamente num dia 25 de julho, mas de 1960, quando o papa era João XXIII.
A escolha do templo para a celebração deste domingo é emblemática. Às 10h, dom Clemente junta-se a padres, bispos e leigos amigos na Igreja das Fronteiras, no bairro do Derby, local em que, por mais de 20 anos, dom Helder morou e celebrou missas. Diga-se morou na igreja porque, de fato, o quarto do ex-arcebispo de Olinda e Recife era colado aos fundos do altar-mor do santuário secular. "O Recife me acolheu. E onde somos acolhidos se torna uma extensão da nossa casa", sintetiza o bispo emérito. Nascido no Rio de Janeiro, ele se formou em ciências jurídicas e sociais, mas preferiu seguir o caminho da religião. A princípio, no Mosteiro de São Bento da cidade em que nasceu e recebeu como nome de batismo José Carlos Gouvêa Isnard. Clemente veio pela opção religiosa.
Dom Clemente notabilizou-se na Igreja Católica pelos trabalhos na área de liturgia. Estudiosos do assunto o incluem entre os maiores liturgistas da instituição. Não só no Brasil, onde esteve à frente de projetos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). No exterior, tornou-se reconhecido pela atuação no Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965). Ele participou de todo o concílio, sendo membro do Conselho para Execução da Constituição de Liturgia (1964-1969). Em uma de suas cartas circulares, enviada durante o Concílio para os amigos do Rio, dom Helder classificou o trabalho de dom Clemente como melhor do que o de liturgistas mais renomados internacionalmente naquele momento. O bispo emérito acha o elogio desproporcional à sua competência. Quem o conhecece sabe que não.
Graças ao trabalho com liturgia, dom Clemente convidou dom José Lamartime para atuarem juntos na CNBB. Essa conferência e o Concílio o aproximou também de dom Helder. Em comum, os dois tornaram suas dioceses em lugares para se experimentar as renovações propostas pelo Concílio. Tanto na liturgia quanto na abertura da Igreja para uma participação maior dos leigos. "Fiz algumas coisas e faria mais profundas hoje, na CNBB e na diocese. Não utilizei tudo o que o Concílio abriu", avalia. Pode não ter feito tudo, mas o que fez costuma ser citado como referência na história da Igreja Católica no Brasil. Por coisas assim, esse beneditino celebra neste domingo tantos anos de vida. Dela, 34 anos (1960-1994) foram dedicados à Diocese de Nova Friburgo.
(acesso em 26/07/2010)
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